O vilão da vez entre os alimentos proscritos por muitos nutricionistas e médicos ortomoleculares é o leite de vaca. O especialista estrangeiro Pedro Bastos desmascara aquele que um dia já foi considerado o alimento perfeito. Pedro Bastos, um dos mais renomados nutricionistas funcionais de Portugal, falou no Congresso de Nutricionistas que ocorreu em São Paulo em 2011 sobre “Efeitos do leite na individualidade bioquímica”.

- Não considero o leite de vaca e de outras espécies um alimento adequado ao ser humano – diz Pedro Bastos. – Após a amamentação, nenhum mamífero consome leite (e muito menos de outra espécie). Este padrão também foi seguido, durante 2,5 milhões de anos, pelos vários hominídeos (incluindo o homo sapiens) que habitaram a terra. Só após a revolução agrícola (há cerca de 10 mil anos), através da domesticação dos animais, é que a exploração e consumo de laticínios se tornou possível. O leite é, assim, um alimento relativamente recente na alimentação do ser humano, o que explica por que cerca de 70% da população adulta mundial apresenta intolerância à lactose (dificuldade/impossibilidade de digerir o açúcar do leite).

O nutricionista afirma que muitos estudos científicos relacionam o consumo elevado de leite de vaca e o surgimento de doenças inflamatórias como otite, dermatite, rinite, sinusite, bronquite asmática, amigdalite, gastrite, enterocolite, esofagite, celulite e tireoidite, além de obesidade, hipertensão, inchaços, aumento da resistência à insulina, fadiga e até mesmo hiperatividade, dislexia, ansiedade e depressão.

Por outro lado, segundo o nutricionista, até mesmo os bons efeitos atribuídos ao leite – como a proteção contra a osteoporose, por causa do cálcio – não são totalmente verdadeiros, já que o cálcio é apenas um dos nutrientes necessários para a prevenção da osteoporose:

- Se existir um desequilíbrio entre o cálcio e os outros nutrientes (por déficit de ingestão dos mesmos ou excesso de ingestão de cálcio), pode ocorrer desmineralização óssea. Um desses nutrientes é o magnésio, cuja deficiência (que pode ser causada por um consumo elevado de cálcio) está associada à menor densidade mineral óssea e à maior incidência de fraturas. Outro nutriente extremamente importante na manutenção da saúde óssea é a vitamina D – aponta.

Veja outras opiniões de Pedro Bastos:

A partir de que idade o senhor recomenda que se comece a retirar o leite e seus derivados da dieta?

Pedro Bastos: Até 1 ano de idade, a criança apenas deveria beber leite materno. E, a partir do momento em que abandona a amamentação, o ideal seria que não bebesse leite (quer seja de vaca, ovelha ou cabra). É certo que crianças que bebem leite bovino podem atingir maior estatura, mas, apesar desse fato ser valorizado na nossa sociedade, é importante que se saiba que isso pode aumentar o risco de desenvolver alguns tipos de câncer na vida adulta. Os motivos pelos quais se recomenda o leite são a sua riqueza em cálcio e em proteínas de alto valor biológico, mas existem várias outras (e melhores) fontes de proteína de alto valor biológico como peixe, carne e ovos, e outras fontes de cálcio como brócolis e couves, cujo consumo regular e elevado pode prevenir o desenvolvimento de diversas patologias, incluindo a osteoporose.

Como fazer escolhas sobre o que comer e o que não comer entre os laticínios? Há os que são mais e os que são menos nocivos?

Pedro Bastos: O iogurte tradicional (que não tem leite em pó adicionado) e alguns queijos (que têm muito pouca lactose) são, normalmente, bem tolerados (do ponto de vista gastrointestinal) por quem tem intolerância à lactose, mas podem causar todos os outros efeitos adversos que o leite pode causar.

Qual deveria ser a dose máxima diária tolerável de laticínios e leite?

Pedro Bastos: Walter Willett, da Harvard School of Public Health, recomenda (com base em extensos estudos epidemiológicos) que não se ingira mais que 1 copo de leite por dia. Esta é uma recomendação generalista, pois depende do indivíduo, pelo que não lhe posso dar uma resposta clara.

Todas as pessoas, indistintamente, terão intolerância à lactose?

Pedro Bastos: Não. Cerca de 30% da população mundial tolera totalmente a lactose e, dos restantes, 70% que não produzem lactase (enzima que “digere” a lactose) na idade adulta (hipolactasia), muitos conseguem tolerar até 12 gramas de lactose por dia (1 copo de leite), sem experimentar quaisquer sintomas.

E os malefícios dos laticínios atingirão somente as que têm intolerância ou a todas as pessoas que consumirem?

Pedro Bastos: Esse é um tema controverso, e os estudos que tentaram ligar a hipolactasia a alguns tipos de câncer não são claros a esse respeito. De qualquer modo, existem vários efeitos adversos que são independentes da hipolactasia, pelo que uma pessoa que bebe muito leite e o tolera muito bem não está livre de poder vir a sofrer de alguma patologia derivada desse consumo.

Recomenda-se ao menos que o Leite ingerido não seja os de Longa Vida que não possuem nenhum benefício, opte pelos leites Orgânicos Pasteurizados (comercializado pela nossa loja da marca NATA DA SERRRA) ou os leite Tipo A ou Tipo B comercializados em padarias que possuem data de validade curta (Leite TOP / Leite da Fazenda).

FONTE: congresso de nutricionistas em São Paulo 2011

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